Sunday, September 26, 2004

Salvar os Felinos

A Revista Time de 23 de Agosto de 2004 traz um excelente artigo sobre felinos, de onde se podem tirar várias conclusões, indispensáveis para a conservação e progresso desses animais:
A primeira dessas conclusões é a seguinte:Estes animais estão a desaparecer, a despeito de alguns esforços que tinham sido feitos pata os salvar, Por exemplo, os leões, cujo censo, há 10 anos, contava 100.000, não chegam agora a uns escassos 23.000, metade dos quais em 6 áreas protegidas.
A segunda conclusão é a de que as reservas não são uma estratégia suficiente para os conservar. Como se trata de animais territoriais necessitam de largos espaços para caçar, encontrar um parceiro sexual, e reproduzir-se. Como a extensão das reservas é normalmente muito pequena a sua superfície não permite a sobrevivência de muitos destes animais. Os mais jovens tendem a ser expulsos das reservas pelos mais fortes e a ser abatidos ou mortos por acidente. É o que se passa à volta das reservas de Doñana e Andújar, em Espanha, onde, de vez em quando, aparecem linces atropelados.
Além disso notam-se fenómenos de endogamia porque o material genético não se renova devido aos sucessivos cruzamentos entre familiares (inbreeding).

A solução é pensar em criar habitats viáveis para estes animais fora das reservas, criar corredores ecológicos entre as reservas que permitam o cruzamento desses animais, e a sua variabilidade genética.Foi o que se fez, por exemplo, com o lince euro-asiático, que foi re-introduzido na Suíça e que já se espalha por entre os Alpes Italianos, com populações em expansão.Para isso é bpreciso adaptar os seres humanos à presença de grandes predadores, que podem devastar-lhe o gado ou, em certos casos (leões, tigres, leopardos e pumas) atacar as próprias pessoas. Isto já começa a fazer-se em alguns sítios com algum sucesso. Basicamente é preciso recompensar as populações pela presença destes animais no seu interior, ou por recompensas directas, ou por sinais de desenvolvimento turístico, por exemplo.

Salvar o lince

Em Espanha os únicos linces ibéricos existentes estão acantonados em dois parques naturais: Doñana e Andújar, o que, manifestamente, não é bom para eles.

É preciso, por exemplo, que sejam trocados alguns animais destas duas populações, para que possam reproduzir-se entre si e evitar a endogamia, que se criem corredores ecológicos entre estes dois parques e outras zonas potencialmente adequadas para eles, e eu sejam reproduzidos alguns animais em cativeiro, para que seja assegurado um futuro para esta espécie.

Portugal tem excelentes espaços vazios onde os linces poderiam viver. Mas conforme disse, estão vazios. Estão desertos de vida animal, porque foi toda caçada. São paraísos vegetais, espalhados por todo o país, nomeadamente no interior do Alentejo e Algarve, com imensos terrenos abandonados, onde o lince poderia e deveria existir, se houvesse um mínimo de coelhos que ele pudesse caçar.

Impõe-se portanto, nesses locais, a re-introdução do coelho bravo e de perdizes, o principal alimento do lince, com alguma limitação da caça: por exemplo limitação dos dias de caça e direito à não caça em propriedades privadas dedicadas à conservação e reprodução do lince

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